Passar o bastão

Na corrida de revezamento, equipes de quatro velocistas cada competem para ver quem consegue completar a prova em menor tempo. O primeiro membro do time completa uma certa distância e passa o bastão para o próximo, que deve fazer o mesmo, até o último integrante da equipe cruzar a linha de chegada.

Em muitos sentidos, nosso sistema educacional está programado para funcionar da mesma maneira. Seu primeiro professor de matemática te ensinou a reconhecer os números; o segundo, partindo daí, já te ensinou as operações básicas de adição e subtração, e assim por diante. No final do ensino médio você já estava resolvendo sistemas complexos de equações e, no ensino superior, pode até mesmo ter dominado todos os segredos das integrais e derivadas.

O grande problema em várias escolas é que, por falta de tempo e planejamento, muitas vezes os professores não promovem esse senso de continuidade da forma necessária. Em vez de se sentarem com os colegas que os precederam para entender a história de cada aluno, os pontos fortes e as fragilidades que devem ser superadas, muitos professores simplesmente partem do princípio de que o trabalho foi feito, e seguem com seu programa padrão a partir dessa premissa.

Estudos demonstram que quase 50% do conteúdo que é apresentado em sala de aula já era conhecido previamente pelos alunos, o que indica que nossas escolas podem estar perdendo um tempo precioso. Ao mesmo tempo, algumas lacunas de aprendizagem podem ir passando de ano a ano sem que nenhum professor se dê conta disso.

Nossos sistemas educacionais ganhariam muito se houvesse melhor planejamento para que os professores pudessem, simplesmente, passar o bastão.